sexta-feira, 6 de junho de 2014

A importância do jogo no ensino de Matemática

               A brincadeira faz parte da vida, é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais, físicos, sociais e/ou morais. O encantamento, fascínio e fantasia dos brinquedos e jogos acompanham o desenvolvimento da humanidade. O jogo é um transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira mais integral os jovens para a vida.   
                Mesmo sabendo que os jogos fazem parte da vida, de acordo com Macedo, Petty e Passos (1997), a escola tem proposto exercícios sem sentido. Ela ensina - símbolos, linguagem, Matemática - conteúdos com regras vazias e, portanto, sem valor. Alguns crêem que a função da escola é instrumental, ou seja, os adultos mantêm seus filhos na escola visando aos futuros cidadãos que estes deverão ser, mas para a criança essa função da escola é muito abstrata e teórica. Se esse conhecimento necessário para a vida for tratado como um jogo, provavelmente vai ter mais significado para ela.
              De acordo com Valenzuela (2005), a antropologia encarregou-se de mostrar que aspectos muito sofisticados do saber humano são adquiridos por meio de relações mais ou menos lúdicas e informais. Do mesmo modo, as novas pedagogias fomentam a atividade lúdica como meio de educação, amadurecimento e aprendizagem. Mas a pedagogia tradicional rechaça o jogo por considerar que ele não tem caráter formativo.
                 Ortiz (2005) complementa esta idéia dizendo que o jogo não era bem visto pela pedagogia tradicional; a educação e o jogo não eram considerados bons aliados. Apesar disso, as crianças aprendem jogando, já que fazem da própria vida um jogo constante. Felizmente, a posição da pedagogia atual converteu o princípio do jogo ao trabalho em máxima na didática infantil. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral.
                   Além disso, o professor Barco (1998) salienta que a escola ignora a individualidade, dando muito mais importância ao currículo e levando assim os alunos a pensarem igualmente e não serem criativos. Cury (2003) diz que “a educação clássica clama para que o aluno seja repetitivo”, e que também nós hoje não produzimos idéias surpreendentes, criações maravilhosas porque o nosso pensamento está engessado.
                  Todos estamos “engessados”, até mesmo o professor na sua forma de ensinar. De acordo com Ponte e Serrazina (2000), o professor que não tenta novos métodos, novas atividades, cai em uma rotina, estagna, em vez de se desenvolver profissionalmente, causando assim um maior desinteresse por parte dos alunos e não proporcionando um ensino da qualidade esperada.
               Podemos então indagar: se a criança brinca tantas horas por dia sem aparente cansaço, porque não educá-la aproveitando o jogo não como fim em si mesmo, mas como meio para a construção de suas aprendizagens? Nesse sentido, acreditamos que as dificuldades nas aprendizagens escolares têm sua origem na metodologia utilizada pelo educador, sempre tão distante do que motiva o aluno. 
        Garófano e Caveda (2005) mostram como o professor deve atuar atualmente no ensino/aprendizagem:

“...é necessário que o adulto/educador considere o seu papel de mediador entre o aluno e as novas aprendizagens, devendo preparar um ambiente que favoreça a predisposição ativa da criança para a aprendizagem, proporcionando materiais potencialmente significativos para tanto e adaptando-os aos diferentes níveis de desenvolvimento, interesse e motivação e apresentando-os de forma adequada” (p. 61).

Valenzuela (2005) complementa dizendo que nos jogos, o educador deve ser o animador, um professor flexível, motivador, buscando desafiar e dialogar.
Mesmo conhecendo as excelências do jogo como instrumento educativo de primeira ordem, na sociedade em que vivemos, na qual brincar e jogar se opõe ao trabalho, esse instrumento acaba sendo deixado de lado pelo educador, ao considerá-lo útil apenas para o descanso do trabalho. Tal atitude fortalece a pouca aceitação e o reduzido reconhecimento do valor da brincadeira pela rigidez das aprendizagens escolares que outorgam pouco tempo ao jogar na escola (GARÓFANO e CAVEDA, 2005).

                   Ortiz (2005) destaca que as características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça, mude e participe ativamente do processo educativo.

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