A brincadeira faz parte da
vida, é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais,
físicos, sociais e/ou morais. O encantamento, fascínio e fantasia dos
brinquedos e jogos acompanham o desenvolvimento da humanidade. O jogo é um
transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. Pode ser um elemento
essencial para preparar de maneira mais integral os jovens para a vida.
Mesmo sabendo que os jogos fazem parte da vida, de
acordo com Macedo, Petty e Passos (1997), a escola tem proposto exercícios sem
sentido. Ela ensina - símbolos, linguagem, Matemática - conteúdos com regras
vazias e, portanto, sem valor. Alguns crêem que a função da escola é
instrumental, ou seja, os adultos mantêm seus filhos na escola visando aos
futuros cidadãos que estes deverão ser, mas para a criança essa função da
escola é muito abstrata e teórica. Se esse conhecimento necessário para a vida
for tratado como um jogo, provavelmente vai ter mais significado para ela.
De acordo com Valenzuela
(2005), a antropologia encarregou-se de mostrar que aspectos muito sofisticados
do saber humano são adquiridos por meio de relações mais ou menos lúdicas e
informais. Do mesmo modo, as novas pedagogias fomentam a atividade lúdica como
meio de educação, amadurecimento e aprendizagem. Mas a pedagogia tradicional
rechaça o jogo por considerar que ele não tem caráter formativo.
Ortiz (2005) complementa esta idéia dizendo que o jogo
não era bem visto pela pedagogia tradicional; a educação e o jogo não eram
considerados bons aliados. Apesar disso, as crianças aprendem jogando, já que
fazem da própria vida um jogo constante. Felizmente, a posição da pedagogia
atual converteu o princípio do jogo ao trabalho em máxima na didática infantil.
O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. A
atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma
formação integral.
Além disso, o professor Barco (1998) salienta que a
escola ignora a individualidade, dando muito mais importância ao currículo e
levando assim os alunos a pensarem igualmente e não serem criativos. Cury
(2003) diz que “a educação clássica clama para que o aluno seja repetitivo”,
e que também nós hoje não produzimos idéias surpreendentes, criações
maravilhosas porque o nosso pensamento está engessado.
Todos estamos “engessados”, até mesmo o professor
na sua forma de ensinar. De acordo com Ponte e Serrazina (2000), o professor
que não tenta novos métodos, novas atividades, cai em uma rotina, estagna, em
vez de se desenvolver profissionalmente, causando assim um maior desinteresse
por parte dos alunos e não proporcionando um ensino da qualidade esperada.
Podemos então indagar: se a criança brinca tantas horas
por dia sem aparente cansaço, porque não educá-la aproveitando o jogo não como
fim em si mesmo, mas como meio para a construção de suas aprendizagens? Nesse
sentido, acreditamos que as dificuldades nas aprendizagens escolares têm sua
origem na metodologia utilizada pelo educador, sempre tão distante do que
motiva o aluno.
Garófano e Caveda (2005) mostram como o professor deve
atuar atualmente no ensino/aprendizagem:
“...é necessário que o
adulto/educador considere o seu papel de mediador entre o aluno e as novas
aprendizagens, devendo preparar um ambiente que favoreça a predisposição ativa
da criança para a aprendizagem, proporcionando materiais potencialmente
significativos para tanto e adaptando-os aos diferentes níveis de
desenvolvimento, interesse e motivação e apresentando-os de forma adequada” (p. 61).
Valenzuela
(2005) complementa dizendo que nos jogos, o educador deve ser o animador, um
professor flexível, motivador, buscando desafiar e dialogar.
Mesmo conhecendo as
excelências do jogo como instrumento educativo de primeira ordem, na sociedade
em que vivemos, na qual brincar e jogar se opõe ao trabalho, esse instrumento
acaba sendo deixado de lado pelo educador, ao considerá-lo útil apenas para o
descanso do trabalho. Tal atitude fortalece a pouca aceitação e o reduzido reconhecimento
do valor da brincadeira pela rigidez das aprendizagens escolares que outorgam
pouco tempo ao jogar na escola (GARÓFANO e CAVEDA, 2005).
Ortiz (2005) destaca que as
características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem
e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência
emocional da criança. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a
aprendizagem fazem com que a criança cresça, mude e participe ativamente do
processo educativo.
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